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Archive for the ‘da família’ Category

Seu Atílio com suas pequenas aventureiras. Foto: Norien Rossi.

Seu Atílio com suas pequenas aventureiras. Foto: Norien Rossi.

Descascam tangerinas no gramado do parque. Ele, cabelos gris e leve protuberância abdominal. Ela, 6 anos e um par de chiquinhas azuis.

Ele a convida a conhecer o novo sensor meteorológico, que ajuda as pessoas a saberem como anda o clima. Ela o convida a caminhar pela trilha no cerrado.

– Na volta, então? – ele insiste.

Ela, charmosa:

– Na volta. Agora quero ver todas as árvores, fotografar todas. Eu sou a fotografeira…

Ele corrige: Fotógrafa.

– Tá bom. Vamos, então?

Ela vasculha a mochila em busca da pequena câmera.

– Eu sou a fotógrafa aventureira. – Olha para ele: E você, quem é?

– Eu? – ele pensa um pouco, antes de responder, orgulhoso: Eu sou seu guia.

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CAVERNA PRODUCTIONS orgulhosamente apresenta:

Direção e edição: Felipe Rossi Morgan

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Léo e Ivan em nosso quintal, em Ribeirão (Arquivo de Família)

Confesso que nunca fui uma torcedora de verdade. O máximo que acompanho é Copa do Mundo, e mesmo assim depois que os times de segunda já voltaram para casa. Mas o futebol sempre fez parte da minha vida.

Talvez porque eu fosse meio moleque na infância, do tipo de sobe em árvore, escala muro e enfrenta os meninos com o nariz empinado e a língua afiada; ou por ser a filha mais velha do Seu Atílio, um homem felizmente sem preconceitos de gênero; ou por ter nascido na terra e no tempo de Sócrates no Botafogo e Leão no Comercial. O fato é que minhas mais tenras memórias me levam aos estádios Palma Travassos e Santa Cruz e à época em que o Magrão era o orgulho de toda a minha Ribeirão Preto.

De Leão ficaram um belo par de coxas e a petulância. De Sócrates, a simplicidade, o nome comprido e esquisito, a elegância em campo e a pão-durice.

Imagens pescadas na rede

O futebol e Sócrates entraram em minha vida num quentíssimo domingo de outubro de 1976. Ribeirão era uma sauna esturricante. Eu tinha 9 anos incompletos, mas mesmo assim Seu Atílio topou me levar ao Santa Cruz, junto com meu primo Paulo Rossi, dois anos mais velho, para ver o Botafogo derrotar o Goiás por quatro a zero, dois gols do Magrão. É claro que a gente não via nada lá de cima – bom, pelo menos eu não via nada, tamanha era a quantidade de gente grande na arquibancada. Mas ouvia tudo pelo radinho de pilha do torcedor ao lado, e comemorava cada gol como se estivesse na final da Copa.

Saí de lá meio tonta de sol, guaraná e festa, mas com o coração eternamente botafoguense. O mesmo coração que, um ano depois, no peito daquela garotinha de quase 10 anos, vibrou como gente grande quando seu Botafogo chegou suado em cima de um caminhão carregando a Taça Cidade de São Paulo, Sócrates junto.

Acho que foi Seu Atílio que nos levou até a entrada da Anhanguera para ver a festa na chegada do caminhão, ele que além de palmeirense roxo sempre foi um comercialino mal disfarçado. Eu não fazia a menor idéia da importância da Taça em si, mas gostei de sentir de novo o calor e a euforia da multidão, quase um ensaio para o clima que se instalaria no País alguns anos depois, com os comícios pelas Diretas Já.

Em 1978 Sócrates mudou-se para o Corinthians, meu time desde a barriga da Dona Nô, mas continuou presente na vida da cidade. Não me lembro se foi ela, Dona Nô, quem levou o Magrão para fazer uma palestra aos alunos do Sesi da Vila Recreio, onde ela lecionava, mas é bem provável que sim. Foi uma farra e tanto!

Mas farra mesmo foi a visita da Seleção Brasileira de 1982 à cidade, a convite de uma rede de lojas de artigos esportivos. Metade de Ribeirão se amontoou nos corredores do único shopping para tentar chegar perto de Zico, Júnior, Toninho Cerezo, Sócrates, Éder e Falcão. Uns por fanatismo futebolístico, outras por tietagem descarada – o meu caso.

Para falar a verdade, nem me lembro se estavam todos lá, mas sei que voltei para casa com um troféu guardado por muitos anos, e que se perdeu no baú do tempo: a figurinha do álbum da Copa com a estampa de Falcão, autografada pelo próprio. (Ok, eu sei que o assunto aqui é o Magrão, mas convenhamos… para a tietagem feminina, Falcão tinha muito mais requisitos que Sócrates, certo?)

Nem preciso dizer o estado lastimável em que corri para o quarto quando Paolo Rossi mandou nossa linda, elegante e estelar seleção de volta para casa… Mais do que nunca, aquela meninada de 14, 15 anos, que não conseguia entender a sandice de uma Guerra das Malvinas tão pertinho de nós, precisava de ídolos, e a Seleção Canarinho tinha sido escalada sob medida.

Na salada de referências que foi a adolescência de uma garota de classe média no interior de São Paulo nos anos 80, o futebol, mesmo sem ser uma paixão pessoal, fazia muito sentido. A Seleção era a nossa cara. Alegre, brincalhona, guerreira. Talvez por isso, entre uma reunião do grupo jovem, um ensaio de teatro, uma pauta do jornalzinho Mãos à Obra e uns beijos roubados na esquina da igreja, essa garota que ora vos fala tenha encontrado tempo para bater uma bolinha – com os meninos!

De fato, éramos quatro meninas infiltradas nos times dos meninos. As outras três eu não sei se “seguiram carreira” depois que nos separamos, mas eu só deixei as quadras sete anos mais tarde, em plena disputa dos Jogos Internos da UnB de 1988, quando descobri que estava grávida e abandonei o time da Comunicação com o coração e as canelas aos pedaços. (Será que é por isso que Felipe gosta tanto de futebol e joga tão bem?)


Depois da Copa de 1982, cruzei com Sócrates em duas ocasiões, uma delas nada agradável.

Final de 1984, a turma do colégio se revezava nas esquinas do centro fazendo pedágio para arrecadar fundos para a formatura do terceiro ano. Aquele era meu dia e a sacolinha estava vazia. Sinal fechado, o primeiro carro da fila, se não me engano, era um Corcel novinho em folha.

Botei minha melhor cara de pau e fui até lá. Antes de ver o motorista, por acaso, vi sua carteira, escancarada e recheada, no console do painel. Timidamente, olhei para o sujeito e expliquei a situação. E fiquei mais do que perplexa, triste mesmo, quando vi e ouvi o grande ídolo Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira me dispensando com um sorrisinho sarcástico e uma frase do tipo “não tenho trocado, menina”.

Hoje me vejo perfeitamente na cena, no lugar dele, todos os dias, em todos os sinais fechados de qualquer cidade. Mas quem podia explicar aquilo para uma garota sonhadora, idealista e socialista de 17 anos?


Para minha sorte, o ídolo se recompôs em meu imaginário em cima dos palanques das Diretas Já, e foi com um novo respeito e um olhar adulto que vi Sócrates pela última vez, em setembro de 2006, em Brasília.

Eu e Márcia acabávamos de sair da festa de inauguração do Mercado Municipal, e esticamos até o Bar Brasília para um chopinho, levando conosco um amigo que eu não encontrava desde que deixei Ribeirão, aos 17 anos. Mal entramos na varanda do Bar e Edwaldo, meu amigo, já estava abraçando efusivamente a ilustre figura que era o centro de uma das mesas. Ele mesmo, o Magrão. Devidamente acompanhado de Carlos Cachaça e mais uma turma de incendiários culturais das noites da minha boa e velha Ribeirão.

O que eles faziam ali? Confesso que até hoje não sei. Só me lembro de ter ficado bastante impressionada com a figura do velho ídolo judiado pela vida, que eu espiava com o rabo do olho enquanto revirávamos o baú de memórias entre um chope e outro.

Hoje, quando liguei para dar a notícia a Felipe, a imagem que me veio à mente foi a de um Sócrates tão frágil quanto genial, tão humano e sujeito às fraquezas quanto qualquer um de nós. Um homem, que viveu e morreu como um homem. Um Sócrates, mais do que nunca, mortal.

Eu sei que o Doutor nunca quis ser modelo para ninguém, mas talvez por isso mesmo ele tenha deixado, sem querer, esse modesto recado. A vida pode ser dura demais até para um ídolo.

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Mais uma da sensacional, espetacular e inigualável

Família Rossi!

 

Por Sergio Rossi, grande artista do clã

Nóis é jeca mais é jóia 😉

 

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A última do Felipe:

Deja de pegarte con tu cámara!

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Habla en serio: É ou não é para ter orgulho do meu rebento?

😉


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