Feeds:
Posts
Comentários

Archive for 23 de janeiro de 2013

Fotos Anamaria Rossi

Fotos Anamaria Rossi

Eu era ainda uma italianinha do interior de sampaulo, que só conhece minestrone e sopa de feijão com macarrão, quando um português me apresentou ao Caldo Verde. Assim, com maiúsculas, porque imediatamente esta sopa ibérica entrou para o meu rol particular das comidinhas tão simples quanto maravilhosas.

O português em questão era Rui Nogueira, na época meu editor no Caderno B do extinto BSB Brasil, um tablóide que reunia uma turma sensacional de focas dispostos a vasculhar a cultura nos quatro cantos e também – ou principalmente – nos becos de Brasília. Idos de 1990. Rui no comando, adepto de um bom desafio, e pilotando as antigas remingtons estávamos, entre outros, eu, Mário Salimon e Luciano Milhomem. No traço, Welder Rodrigues, que na época assinava Zóide, ou melhor, desenhava um espermatozóide minúsculo no canto de suas ilustrações.

Não me lembro se estávamos todos na noite em que Rui nos reuniu em seu apartamento (era no Guará?) para um vinho e um bom Caldo Verde. Quem preparou foi Nadja, sua mulher, que não é portuguesa mas aprendeu direitinho a receita. Eu, que desde sempre gostei da companhia das panelas, fiquei colada em Nadja para não perder nenhum detalhe. O tempo, porém, me fez a trapaça de apagar vários deles da memória, mas sobreviveram os quatro ingredientes principais: linguiça calabresa, azeite do bom, batatas e couve.

Corro o risco de não ser fiel à receita que Rui e Nadja trouxeram de Portugal, mas depois de anos e anos de experimentos posso garantir que o Caldo Verde de Donana não fica muito atrás do primeiro dos muitos que ainda pretendo tomar na vida. Especialmente numa noite de chuva como esta, típica de janeiro em Brasília, que pede uma sopa quente e ao mesmo tempo leve – porque afinal é verão.

caldoverde_donana

CALDO VERDE DE DONANA

  • Descasque e pique em cubinhos duas batatas grandes e ponha para cozinhar em água fria com ½ cubo de caldo de carne e dois dentes de alho na casca.
  • Enquanto a batata cozinha, corte em rodelas bem finas uma lingüiça calabresa ou portuguesa, sem a pele, e coloque em outra panela sem nada de gordura. Quando começar a salpicar, junte 3 a 4 colheres de sopa de azeite e meia cebola cortada bem fina. Vá mexendo enquanto pica bem miudinhos dois dentes de alho, e junte ao refogado. Baixe o fogo e vá misturando até a cebola ficar transparente. Desligue e reserve.
  • Bata as batatas cozidas e o alho (sem casca) no liquidificador usando a água do cozimento e, se precisar, um pouco mais. Despeje sobre o refogado e volte ao fogo, mexendo bem. Junte sal a gosto, uma pitada de pimenta calabresa e duas colheres de sopa de cheiro verde picadinho (cebolinha e salsa).
  • Deixe ferver por uns 10 minutos, retirando a espuma com a escumadeira, até ficar com a textura de uma sopa nem rala nem muito espessa. Ao final, acrescente aos poucos duas a três xícaras de couve picadinha, misture, corrija o sal, desligue o fogo e abafe.
  • Depois de 10 minutos é só servir com um bom fio de azeite e umas torradas douradinhas. Serve três a quatro pessoas e vai super bem com vinho tinto. Português, com certeza.
Anúncios

Read Full Post »