Não foi o almoço do Dia das Mães, mas foi um almoço digno das mammas - uma Cynara e duas Anas. E mais um João, um José e um Tito. Sobre a mesa, duas pastas e um frango assado em televisão de cachorro.
-Uauau! – disse Barak, farejando detrás da mureta.
Foi assim que mamma Cynara estreou de Sofia Loren, com um maravilhoso fusilli enrolado em pesto de salsinha, olivas negras, pignoli, alcaparras e anchova, criação apetitosa da atriz italiana (ou será da apetitosa atriz italiana?), registrada em seu livro de receitas e memórias.
Para não ficar atrás, nem de uma nem de outra, abri todos os livros, folhetos e recortes de comida italiana que encontrei em meu baú. Acabei ficando com a carbonara original registrada na Larousse de Cozinha Italiana que ganhei do Cicci e da Fernanda:
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Salsa Carbonara
Para 500 g de pasta (prefira spaghetti):
- 200 g de toucinho picadinho
- 150 g de parmesão ralado
- 100 ml de azeite de oliva extra-virgem
- 2 ovos + 4 gemas
- sal e pimenta branca moída na hora
- Leve o toucinho à frigideira e deixe dourar em sua própria gordura. Desligue o fogo. Escorra a gordura. Adicione o azeite e reserve.
- Bata ligeiramente os ovos e as gemas com 100 g do queijo ralado, sal e pimenta. Reserve.
- Cozinhe o macarrão em bastante água com um fio de azeite e sal. Deixe uns 2 minutos a menos do que manda a embalagem, pois a massa deve ficar al dente. Escorra e reserve um pouco da água do cozimento.
- Aqueça o toucinho e o azeite na frigideira (eu usei uma wok grande), junte a pasta escorrida e umas 5 ou 6 colheradas da água do cozimento. Deixe em fogo médio, mexendo, até dourar um pouco (2 a 3 minutos). Desligue o fogo.
- Junte aos ovos batidos 2 a 3 colheradas da água do cozimento do macarrão, misture bem e despeje sobre a pasta que está na frigideira (fogo desligado!). Junte o restante do queijo ralado e misture delicadamente com um garfo de madeira, para mesclar bem os ovos à pasta, de modo que as gemas cozinhem com o próprio calor da massa. O resultado será um molho cremoso e delicioso – acreditem! – sem nenhum sabor de ovo cru.
- Sirva imediatamente, acompanhado de um bom vinho tinto, um potinho de parmesão ralado e – delícia das delícias! – um belo frango assado de televisão de cachorro. Garanto que não sobrou nada para o Barak!
Quanto à receita de Cynara Loren, só perguntando a ela. Eu só sei que estava digna de Mastroianni – embora a receita preferida dele fosse pasta & fagioli…






mais tarde, tito devorou todo o carbonara restante!
ficou faltando mencionar o delicioso (modéstia à parte, hehehehe) cheesecake do defunto, que é como eu chamo o melhor cheesecake do mundo, segundo o new york times. que não é italiano, mas fez boa figuração na sobremesa.
; )
vero, veríssimo! falha nossa…
manda a receita do cheesecake!!! na próxima a gente fotografa.
beijo.
Faço minhas as palavras de cynara e meus, também, o que sobrou do cheesecake, do frago e do macarrão.
Sorry
tá bom, tá bom, já estão doendo as chibatadas pelo meu imperdoável esquecimento…
salve o cheesecake do defunto!
Curiosidade sobre o carbonara que Fernanda descobriu: o molho teve origem na região onde viviam meus bisavós italianos, a Província de L´Aquila, na Região de Abruzzo. Os carbonai, ou carvoeiros, sobreviviam com a produção de carvão cuja matéria-prima era a madeira saída dos bosques que viscejavam – não viscejam mais – nas encostas das montanhas, nos Montes Apeninos. Esse pessoal fazia serviço braçal, de juntar, cortar, transportar e beneficiar a lenha, às vezes sob frio intenso. Por isso, precisavam de energia. Vem daí a motivação para uma comida que junta ingredientes simples, mas altamente calóricos, como toucinho, queijo, azeite e ovos. Hoje, apesar de L´Aquila ainda ser região linda, perdeu as florestas que Maurit Escher retratou. Há inclusive numa obra dele que mostra exatamente a cidadezinha de onde saíram Salvatore e Carmela, meus antecedentes italianos, Pettorano Sul Gizio.
Cicci, voce esta intimado a checar com sua famiglia se a carbonara que chegou aqui eh a carbonara que saiu de la…
Amei a historia!
Beijo.
Mastroianni é a minha receita preferida…
Beijocas!
Nem me fale, Selma… Precisa nem de parmesao!
ficou “massa” este post, hein? não me canso de reler.
; )
Mais história só se rolar convite para boca-livre! P.s.: e pense bem antes de chamar a gente para compartilhar qualque refeição porque João, aos seis anos, se diz um pré-adolescente e já come como se, de fato, fosse um.