Hoje foi o primeiro dia de verão verdadeiro do ano neste janeiro brasiliense regido pelas chuvas. E, como num bom domingo de verão com temperaturas amenas em torno de 30 graus, caiu aquela chuvinha refrescante no fim da tarde – poucos e grossos pingos riscando o ar como faíscas iluminadas pelo sol.
Mas o que iluminou mesmo o meu domingo não foi nem o sol nem a chuva alumiada – foram os amigos. Imprescindíveis na alegria e na tristeza, no dia e na noite, na invernada e no verão.
Suzana chegou cedo com a cachorrinha Laika, já terminando sua caminhada quando eu saía para a minha. Com Sérgio, conheci a pontezinha de madeira instalada para proteger a nascente do parque, e depois nos juntamos ao Gê numa orgia gastronômica de sushis, sashimis e saquê.
Eu já me preparava para um fim de tarde preguiçoso vigiando a chuva aqui do sexto andar quando Tânia me ligou pedindo receita de tudo o que se pode fazer com carambola – ela já não sabia o que inventar para dar conta da generosa safra da árvore em seu quintal.
Lembrei da geléia de carambola com pimenta de Doñana e marchei para a casa da Tânia, onde um delicioso strogonoff com páprica à moda da Rússia estava prestes a sair da panela.
Já passava da meia-noite quando saí de lá com um potinho de geléia, um saco de carambolas e maracujás, uma maravilhosa fruta de mandacaru e um repertório de causos totalmente renovado.
Quem pode esperar mais que isso de um domingo? Quem pode esperar mais que isso de qualquer dia de uma vida inteira?
Mas quando a gente não espera, acontece.
Entrei no elevador na garagem e apertei o 6, mas a geringonça parou no térreo. O porteiro abriu a porta e me entregou um pacote:
- É para a senhora, quem deixou foi o Luís Cláudio.
Deixei as frutas no balcão da cozinha e corri para o computador. Encontrei a explicação nos comentários dois posts abaixo:
“Oi! O porteiro Sílvio, do seu prédio, está com a encomenda que chegou aqui em casa pra você. Num começo de noite de domingo, Fernanda, João e eu ainda achávamos que te encontraríamos em casa. Mas, claro, demos com a cara na portaria… Beijo e faça bom proveito!”
Habla en serio! Será que eu mereço tanto para um só domingo?
Melhor que isso, só se eu fosse duas e pudesse estar, ao mesmo tempo, fazendo geléias na casa da Tânia e preparando um cafezinho com pão de queijo para receber Cicci, Fernanda e João quando eles bateram aqui. Mas aí seria pedir demais aos deuses…
E como eu não sou ingrata, prometo, assino e registro em cartório: depois de devorar a Larousse da Cozinha Italiana, multiplicarei as alegrias deste domingo iluminado transformando-as em quitutes, merendas e outras delícias. Ainda que eu precise pedir ajuda a Doñana…
Gracias, fuefos!


que delicia …. (voce merece, saiba disto!)
Estou cumprindo a promessa!